Quinta leitura do ano: este livro de poesias de José Darcy de Carvalho, poeta de Caldas. O prefácio, assinado por Reynaldo Pimenta, diz que ele e o autor são conservadores, mas sempre leio textos assim como posfácios e já havia notado isso ao longo da leitura: são sonetos petrarquianos e nos cinco textos finais, quando Carvalho deixa o formato de lado para compor poemas mais longos, com versos divididos em quartetos ou sextetos, ele jamais usa o verso livre e adota esquemas rimáticos derivados do soneto: AABCCB, por exemplo, no início de Eu, cujo título eu pensava que fosse Tu, devido à curiosa fonte adotada, mas depois da leitura do índice descobri qual era o verdadeiro título. Gosto bastante destes acidentes de leitura, por assim dizer. Fazer algo tão esquemático fora dos sonetos resultou em poesias medíocres, com exceção de Moreninha, na qual a técnica serviu à musicalidade. Eu achei bastante curioso que um livro com 72 anos de um autor conservador ao mesmo tempo teça loas a Deus e, mesmo que o termo não existisse à época, às “9nhas”. É um pouco sintomático que as coisas sempre tenham sido assim. De qualquer forma, essa é uma parte pequena do conjunto e uma reflexão contemporânea – ou extemporânea, melhor dizendo. A maior parte dos sonetos são bucólicos, exaltando paisagens rurais e alvoradas, e alguns são muito bonitos, caso de A Borboleta, Amanhecer, Sobe a Manhã e Manhãs de Caldas.
Sunday, February 08, 2026
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