Monday, May 28, 2007
Trilha odorífera
Wednesday, May 23, 2007
Recado particular
Tuesday, May 22, 2007
Falta de gosto
Monday, May 21, 2007
De bico
Friday, May 18, 2007
E eles foram felizes para sempre
Aquela assombração do capeta não merece registro. A simples menção do seu nome é um reconhecimento indevido. Esqueça, não falarei a respeito e seu recado não será passado. Sim, atualmente é inofensivo, sua mobilidade foi reduzida com o passar dos anos, ainda que a perversidade inata esteja apenas mascarada pelas pelancas e rugas de velhinho simpático. Trata-se de algo latente.
O que interessa é o seguinte: acertar uma história meia-boca para despistá-lo. Ignorar é uma benção. Não tem essa, é como se fosse uma perna de cobra: não existe e não interessa conjeturar sobre sua existência. Conte você, não dei moral para espectro nenhum. Não precisa ser nada bem tramado. Que ele perceba, quanto mais evidente que é uma evasiva, melhor.
Ninguém se deu conta que ele morreu, meses depois, a não ser os funcionários que trataram do trâmite para que seu corpo fosse doado a estudos de anatomia em uma faculdade de medicina.
Wednesday, May 16, 2007
Caçada na selva
No presídio é assim: não fale. Escolha as palavras. Depois diga o mínimo possível. Revele muito pouco sobre você. Tudo que você diz pode e será usado contra você. Espere um pouco, aja depois. A menos que seja para arrumar um pretexto para fugir. Igual aqui. Pressa para tropeçar não servirá apenas para gargalharem da sua cara, mas para te fincarem no chão e botarem no seu rabo. Igual aqui.
Então o macaco velho de guerra trouxe uma pitaia para comer aqui. O quê? Pitaia. Um cacto comestível. Hidratante, fonte de vitaminas A e C, gostoso. Parece bom. Não interessa. Eu seria mais liso. Ou teria mais "bom humor", ou seja, absorveria as pancadas psicológicas revestidas de brincadeiras para descontá-las com o dobro da violência no momento oportuno. Mas na categoria.
"Trouxe uma frutinha cor-de-rosa para comer", bastou o primeiro carniceiro rosnar para as hienas cercarem a vítima com gargalhadas vorazes. Tentou defender-se entrando na "brincadeira", mas não entendeu nada, aquele era o momento de extravasar todas as frustrações recentes, azar. Eles de fato encarnaram as hienas encurralando o veado indefeso no recanto da cozinha. Portanto, não pode fazer nada além de exaltar-se e distribuir coices. "Exigo respeito, olhem minha idade, estou muito velho para este tipo de falta de respeito". Os sorrisos derreteram-se em carrancas, apelou perdeu, como se ele estivesse errado, tornou-se a "Bicha Ressentida", até sair do escritório, abatido.
Tuesday, May 15, 2007
Sacrifício estilhaçado.
Friday, May 11, 2007
Estaremos juntos quando formos velhinhos?
Raciocínio abandonado pelo cafezinho.
Não sei se vale falar algo.
Thursday, May 10, 2007
Nathanael foi além.
“Nat escreveu:
preciso te falar uma coisa
Nat escreveu:
bem quando te escrevi isso, você desconectou
Nat escreveu:
Tão tentando furar teus zóio mermão
Nat escreveu:
É aquele Marcos fita, tá muito saidinho aqui com a tua patroa
Nat escreveu:
cresce o olho e intima ela
Nat escreveu:
não que ela tenha feito algo
Nat escreveu:
mas ele tá de zoio
Nat escreveu:
desculpa falar assim, mas perdi seu celular
Nat escreveu:
acho que tenho intimidade o suficiente contigo para falar isso por aqui
Nat escreveu:
pelo menos, quando vc ver isso, terá passado pelo menos mais um findi sussa
Nat escreveu:
a ignorancia geralmente é uma benção
Nat escreveu:
mas eu precisava te falar e não dá para tel ligar em lugar nenhum, dadas as circusntancias
Nat escreveu:
cara vou viajar blz
Nat escreveu:
desculpa o susto mas tenta me ligar quando vc chegar
Nat escreveu: []s”.
Respondi offline “Obrigado, logo nos veremos”.
Wednesday, May 09, 2007
Ma huang
Tuesday, May 08, 2007
Prelúdio
Thursday, May 03, 2007
Segunda-feira de cinzas
Os telefones tocam em vão.
Todos com quem preciso conversar não foram trabalhar. Estão metendo, cochilando, bebendo e dando baixaria, queimando as carnes brancas no mormaço, jogando frescobol, cheirando, vendo mulher pelada na televisão, vendo revista de homem pelado no banheiro, alugando filmes pornôs, brochando em suítes caras de motéis vagabundos para ganhar uma chupada, discutindo com os pais velhinhos para depois jantar com eles, ralhando com os filhos e levando-os para tomar sorvete, nadando em piscinas com 37% de mijo, pulando ondas de coliformes fecais enquanto tomam água de coco, andando de bicicleta na chuva, sendo presas por desacato à autoridade, dançando nus em frente ao espelho, lendo Stephen King, ouvindo jazz na praça, comendo pipoca na fila do cinema, socando a fuça do adversário no xadrez, jogando RPG com os primos bestas, passeando com três vira-latas em forma de Cérbero, jogando confete nos travecos, enrolando as putas com serpentina e chacoalhando-se atrás do trio elétrico. Tem quem esteja trancado no quarto, ouvindo Bauhaus. Só alegria, o bordão surgido sabe-se lá onde me incomoda pra caralho.
Não é tristeza. Estou exasperado, pensando, impotente, cumprindo tabela, esperando que amanhã não perca o dia inteiro dormindo pra compensar a insônia que não posso descontar agora. O picareta do chefão veio dar exemplo. Trabalhou duas horas e foi embora rangar e fazer a sesta.
Friday, April 27, 2007
Puxando o tapete
Imprecações à parte, ainda se pode conviver numa boa com o novato folgado. Acha que caiu, ou caiu de fato, nas graças do Mullet. Faz sentido, pois é fácil impressioná-lo com português castiço ou jogando com conceitos recém-inventados/deturpados. O garoto é um alpinista social que tenta se impor pelo volume da voz e pela inconveniência, mas já tomou tantas invertidas dos cobras véias que deu uma murchada. O meu saco ele não encheu nem alisou. Ser praticamente ignorado por um playboy ignorante em um ambiente com dezenas de pessoas é uma bênção.
Everything´s ok.
Now I´m really pissed off. “The enemy works in the corner of my eye”, the song plays again and again in my head. But I have a advantage: he doesn´t know what I´m writing. He barely read portuguese. He´s looking at me, at my monitor, right now, but he can´t do no harm anymore. So I can practice my english while I pretend to translate commercial letters. Instead, I write big e’s to friends who lives in other countries, and that´s it.
O pior inimigo
O sono, a desmotivação, o cansaço, o colega, a indisposição, o cachorro do vizinho, o chefe, a comida gordurosa, a perda de tempo, a gostosa que não dá bola, a auto-estima, a visão do dia lindo lá fora, a falta de sentido nas tarefas, a música ruim no rádio, a TV, a manutenção do carro, a tela do computador desejosa de ser preenchida com merda, a conversa fiada, o lugar-comum, o babaca do qual não seu pode fugir? Eu?
Queria falar a verdade o tempo todo
Depois de muito envelhecimento precoce devido à inércia somada ao sedentarismo que mesmo a mais frenética atividade na frente do maldito computador provocaria, é só pensar friamente para começar a melhorar. Basta mentir. Preencher o controle de horas com informações falsas. Ninguém nota que não se está fazendo nada. Impressionante. Quando não dá para ficar conversando em qualquer um dos cinco comunicadores instantâneos instalados, por ter alguém olhando, é só escrever longos e-mails no meio dos relatórios mais enfadonhos. Pode-se retomar contato com quem não se conversa há anos e fica por isso mesmo.
Punição
Imagens de culpa que nunca fizeram parte do meu imaginário, mesmo tendo uma criação cristã, andam me perseguindo. O que fiz para ativar isso? Parecem hologramas, muito tênues, é fato, se materializam de repente e evaporam mais rapidamente ainda. Deve ser sugestão subliminar da gritaria evangélica próxima de casa.
Tuesday, April 17, 2007
Banana de dinamite
O pessoal do escritório vai viajar junto. Queria tanto ir à praia, mas ela está cheia de bosta e de gente que me odeia. As velhas de classe média alta estão assistindo TV agora de manhã, reclamando da vida e anotando receitas. Depois elas vão à academia, após tomar uma vitamina reforçada, e buzinarão no ouvido dos pobres funcionários que elas não têm tempo para nada.