Ontem, numa mega faxina, caiu-me uma ficha: sou acumulador.
Nada tão doentio assim também.
Posso doar ou vender na boa. O que me incomoda é o desperdício ou o apagamento da história. De qualquer forma, tenho coisas demais. Por exemplo: este cassete do Pink Floyd.
Foi presente de uma ex. Quando terminamos, ela pegou de volta o vinil azul do Division Bell que me deu. Tudo bem por mim. Da fita ela não quis saber: quando pusemos para tocar, ela rodou normal, mas a música saía baixinha e parece-me que ao inverso. Foi um experiência curiosa, fantasmagórica. Já era uma fita antiquíssima há 14 anos, quando a ganhei, imagina agora.
Eu devolveria-a tranquilamente; hoje em dia não tenho nada contra essa ex-namorada. Só que não a vejo mais e a última vez que a vi tive a impressão de que ela tornou-se evangélica; um amigo também teve a mesma percepção. Ou seja, um cassete original dos anos 1970 iria pro lixo. Isto sim seria um pecado.
O mais doido dessa história é que mantive a fita, porém jamais gostei deste disco. E justo agora passei a apreciá-lo, ao menos um pouco; mas como disse, já tenho objetos demais.
A fita seria mais um objeto decorativo ou adereço para obra de época. Vendo-a, portanto.
No entanto, se você chegou ao final deste texto, se já somos amigos e se já sei que você é muito fã de Pink Floyd (não daria esta fita para qualquer um), eu te dou esta fita de presente. Eu não gastaria nada com correio; só entrego em mãos.




