Sunday, May 10, 2015

A noite em que fui um Lanterna Verde

Estou voando. É fácil, mais fácil do que andar de bicicleta. Sobrevoo o bairro onde cresci; é mais ou menos como imaginava que seria quando visto do alto.
Telepaticamente, sou alertado pelos Guardiões do Universo, diretamente de Oa, que alienígenas invadiram a terra e sequestraram algumas garotas em Batatais, interior de São Paulo. Não me perguntem o porquê de aliens se interessarem por Batatais. Não vejo os Guardiões, apenas os ouço na minha mente e sei que estão em Oa. Logo parte da Tropa dos Lanternas Verdes aparece ao meu lado e voamos acelerado; rapidamente saímos de Poços de Caldas e logo chegamos em Batatais.
No caminho, os Guardiões nos avisaram que os alienígenas se pareciam com baratas. Sobrevoamos o bairro, devagar e baixinho. Parecia mais um subúrbio dos Estados Unidos do que uma cidade brasileira. Perto de uma esquina de onde saía uma estrada de terra, paro para recarregar meu anel numa bateria verde que foi deixada em frente a um sobrado. Então levantamos voo de novo e usando o anel como sensor descubro onde os alienígenas estão. A nave deles está enterrada embaixo de uma grande casa.
Entramos na casa, mas voando. Abrimos a porta usando a luz verde do anel e ficamos levitando na sala, ninguém anda. Ouvimos gritos, gritos desesperados de garotas. Temos certeza de que elas estão sendo torturadas. A sala tem uma porta de onde parecem vir os gritos, a abrimos e acendemos as luzes, sempre voando. Há um imenso porão.
O porão está vazio, elas não estão lá. Os gritos parecem vir de baixo de nós. Mas não vemos nada. De entradas laterais, aparecem vários gatos. Eles se parecem com felinos normais, mas são um pouco maiores e olham-nos fixamente e SORRIEM. Um sorriso maldoso, satânico. Então começam a pular muito alto e quase nos alcançam. Comprimimo-nos contra o teto. Antes que contra-ataquemos, acordo.
Está meio frio no quarto, é inverno. Tudo escuro. Pouco depois volto a dormir.
Quando passo a sonhar novamente, EU VOLTO A SER UM LANTERNA VERDE. Isso foi realmente legal. Este sonho seguinte, ao contrário do anterior, dessa vez era remanescente de leituras de HQs, mais especificamente do Cavaleiro das Trevas. Era de noite, eu voava e o vento frio castigava meu rosto. Estava beirando a costa, e em meio a nuvens um pouco cinzas, sobre as quais pontuava a lua, cujo reflexo no oceano era bonito, eu via o Super-Homem destruindo MIGs soviéticos. Estava bravo com o Super-Homem, não porque fiquei do lado dos russos, mas porque ele estava matando outros seres humanos, quebrando seu juramento. Eu voava em direção aos aviões e procurava salvar os pilotos, mas o Super-Homem estava possesso e matando geral. O Super-Homem era rápido demais, era apenas um risco azul que logo desaparecia de vista. Como um elétron, não o via de fato; só de observá-lo, ele mudava de direção imediatamente. Esse sonho não foi tão bom, porque estava frio – eu realmente sentia frio durante o voo, assim como sinto gosto de comida durante os sonhos! – mas não foi propriamente um pesadelo. No entanto, estava frustrado até mesmo ao acordar. Não havia conseguido salvar ninguém.


Daniel Souza Luz, 10 de maio de 2015.

Arte de Gil Kane para o mais notório Lanterna Verde, Hal Jordan. Foi uma honra ser colega de Jordan por uma noite.

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